Farmacêutico: O Profissional do Medicamento!

Desde o final do doutorado tenho pensado sobre a nossa profissão. Concordo que a valorização profissional é fundamental e pergunto-me: onde estão as brechas que podemos explorar para demonstrar valor e gerar respeito?

Olhando para o mercado de medicamentos percebo que os lucros imensos, porém o farmacêutico ainda não recebe uma fatia justa deste bolo. E de quem é a culpa? Embora seja mais fácil colocá-la  nos outros, penso que devemos olhar para nós e buscar algumas respostas.

Primeiro acredito que os anos em que alguns colegas  “assinavam” uma farmácia e iam trabalhar em laboratórios de análise clínica abriram uma lacuna que,  preenchida por proprietários e balconistas leigos, deixou a população com uma visão totalmente distorcida de quem é o verdadeiro profissional do medicamento.

Segundo, uma vez que estamos capacitados para exercer as mais diferentes competências profissionais, nossa graduação tenta habilitar-nos para tudo e acaba deixando a prática clínica farmacêutica em segundo plano. Há anos penso sobre a necessidade de largar algumas competências e focar no medicamento.

Explico: acredito que não adianta pensar que podemos trabalhar com análises clínicas, medicamentos e alimentos, quando na vida real muitas dessas habilitações sofrem com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo.  Veja a difícil tarefa do farmacêutico que tenta competir com engenheiros e nutricionistas na indústria de alimentos.

Assim, uma vez que acredito que nossa profissão deve evoluir junto com o mundo,penso que não podemos pensar na prática farmacêutica do futuro como a mera repetição do passado. Por isso é fundamental que o farmacêutico busque conhecer as sutilezas do medicamento.

Por exemplo, quanto mais estudo farmacologia, mais percebo que os fármacos são completamente diferentes entre si dentro da mesma classe. Ou seja, as recomendações para o paciente que utiliza atenolol são muito diferentes daquelas dadas ao paciente que utiliza propranolol. Ainda, as características farmacocinéticas de fármacos dentro da mesma classe variam incrivelmente e abrem a oportunidade de identificarmos o melhor medicamento para cada paciente.

Aí você me diz: mas quem deveria saber disso é o médico porque é ele que prescreve. E eu digo: esse é o pensamento do passado! Eu gostaria que o médico me visse como um parceiro que ele pode contar sempre que precisar identificar o melhor fármaco para um determinado paciente. E o melhor:  já temos legislação que nos permite trabalhar dentro de uma clínica, em colaboração com médicos, ajustando a farmacoterapia. E sendo remunerado para isso, é claro!!

Um abraço a todos aqueles que acreditam que o futuro desta profissão não precisa ser igual ao passado!

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