Medicamentos para hipertensão e risco de depressão.

Tanto a hipertensão quando a depressão são patologias que acometem um grande número de pessoas em todo o mundo. A possibilidade do infarto agudo do miocárdio causar depressão existe e o contrário, a hipótese da depressão agravar as doenças do sistema cardiovascular também já é suportada por um grande número de trabalhos.

Nesta linha, o trabalho publicado por Boal e Colaboradores (Hypertension. 2016;68:00-00), analisou os registros eletrônicos de 114.066 pacientes entre 40-80 anos por 5 anos e que utilizaram antihipertensivos por pelo menos 3 meses. O critério para associação com a depressão foi a internação hospitalar devido a distúrbios do humor.

Os pacientes que utilizavam os inibidores da ECA (captopril, enalapril) e os antagonistas AT1 (losartana, valsartana) tiveram um risco menor de admissões hospitalares por distúrbios de humor do que aqueles que eram usuários de beta-bloqueadores (propranolol, atenolol) e bloqueadores de canal de cálcio (nifedipino, amlodipino).

Vale comentar que este trabalho utilizou a internação hospitalar como critério para diagnóstico de depressão, sendo assim, uma vez que a depressão é sub-diagnosticada em muitos casos, possivelmente o risco possa ser maior do que aquele descrito pelos autores.

Assim, é importante que o farmacêutico esteja atento para estes sinais quando realizar o acompanhamento farmacoterapêutico e, sempre que necessário, registre no documento que irá entregar ao paciente que os antihipertensivos mais indicados para o paciente com depressão, caso a co-morbidade exista, são os inibidores da ECA e antagonistas AT1.

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