Metformina e risco de diálise.

Se existe um medicamento que entrou na moda nos últimos anos, este chama-se metformina. As razões para isso são várias e passam desde a sensibilização para as ações da insulina até a perda de peso.

Tudo isso, associado a um perfil de efeitos adversos relativamente ameno, fazem dela o fármaco de primeira escolha para o tratamento do diabetes do tipo II.

E digo mais, não se assuste se no futuro você observar a metformina sendo utilizada para fins bem diferentes daquilo pelo qual ela foi colocada no mercado. Isso porque dentre seus mecanismos propostos está a ativação via regulada pela enzima AMPK. Via enzimática bastante importante no metabolismo energético e associada a uma série de efeitos benéficos dos exercícios físicos.

Mas nem tudo são flores. Sabe-se que a metformina deve ter suas doses ajustadas em pacientes com insuficiência renal moderada e que é contraindicada para pessoas com insuficiência renal severa.

O trabalho publicado por Carlson e colaboradores (Diabetes Obes Metab. 2016 Aug 18), avaliou 168.443 pacientes diabéticos do Tipo II, acima de 50 anos de idade, que iniciaram seus tratamentos com metformina ou alguma sulfoniluréia (glibenclamida por exemplo) entre os anos de 2000-2012.

A respeito destes pacientes buscou-se aqueles que fizeram dialise no período de um ano após o início do tratamento. Depois de realizada a análise estatística, os autores concluíram que para cada 1988 pacientes tratados com metformina, no período de um ano, 1 havia feito diálise. Além disso demonstraram que o risco de diálise foi 50% maior naqueles que utilizaram metformina quando comparados com aqueles que utilizaram qualquer sulfoniluréia.

Alguém poderia dizer que 1/1988 paciente é um número que pode ser considerado baixo. Sem dúvidas não é um valor que peça a proibição do uso dela. Mas acende um alerta especialmente naquele paciente acima de 50 anos com outros fatores de risco para a insuficiência renal: obesidade, hipertensão e tabagismo entre eles.

Cabe ao farmacêutico, por exemplo, alertá-lo para a necessidade de realização de exames que monitorem o funcionamento dos rins com maior frequência.

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